Novas formas de buscar no Google e impactos para empresas
IA generativa, Modo IA, Lens e pesquisas multimodais mudam a relação entre posição, clique e autoridade
Índice
- Como era a busca no Google até poucos anos atrás
- Quais são as novas formas de buscar no Google
- AI Overviews
- Google Modo IA
- Gemini dentro da busca
- Pesquisa por imagem, Lens e busca multimodal
- Pesquisa por voz e pesquisa conversacional
As novas formas de buscar no Google já alteraram a maneira como as pessoas encontram informações, com respostas produzidas por inteligência artificial, voz, imagens, câmera e perguntas complementares ao lado dos resultados tradicionais.
No Google I/O 2026, Sundar Pichai afirmou que AI Overviews já ultrapassava 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, enquanto o Modo IA havia superado 1 bilhão.
Para empresas, a consequência aparece em uma lógica que orientou o SEO durante anos. A pessoa pesquisava algumas palavras, o Google organizava os resultados e os sites disputavam o clique por posição, título, metadescrição, autoridade e capacidade de responder à intenção daquela consulta.
Esse caminho continua a existir, porém já não explica sozinho o que acontece entre uma pesquisa e a chegada a um site.
Uma boa posição permanece valiosa, mas parte da resposta pode aparecer antes do acesso à página. O desafio, portanto, não está apenas em conquistar espaço na SERP, mas em produzir conteúdo capaz de sustentar uma resposta em destaque, demonstrar autoridade e oferecer informação suficiente para justificar o clique.
Como era a busca no Google até poucos anos atrás
Até poucos anos atrás, a busca no Google dependia principalmente de uma consulta por texto seguida de uma página de resultados na qual links orgânicos disputavam a atenção de quem pesquisava. Mapas, imagens, vídeos, notícias, produtos, painéis de conhecimento e respostas diretas já ocupavam espaço na SERP, apesar de o acesso a sites continuar no centro de boa parte da experiência.
A inteligência artificial ampliou esse processo ao permitir que o próprio Google reúna informações de diferentes páginas, organize uma síntese e apresente fontes antes que a pessoa visite qualquer uma delas. Além disso, a pesquisa pode continuar por meio de novas perguntas, sem perda do contexto anterior.
O mecanismo, dessa forma, deixa de apenas ordenar páginas para também participar da construção da resposta.
Quais são as novas formas de buscar no Google
As principais novas formas de buscar no Google incluem AI Overviews, Modo IA, pesquisa com Gemini, Google Lens, consultas por imagem, busca multimodal e pesquisa por voz. Os recursos cumprem funções diferentes, mas reduzem a dependência de consultas curtas formadas apenas por palavras-chave e ampliam os formatos usados para iniciar ou aprofundar uma pesquisa.
AI Overviews
AI Overviews são sínteses produzidas por inteligência artificial que aparecem em determinadas pesquisas e reúnem informações acompanhadas de links para as fontes utilizadas. Em português, o Google chama o recurso de Visões Gerais Criadas por IA.
Segundo o Google Search Central, AI Overviews aparecem em consultas nas quais os sistemas identificam que uma resposta generativa pode acrescentar valor à experiência tradicional.
Para quem produz conteúdo, o impacto tende a ser maior nas páginas criadas para resolver perguntas simples, já que parte da informação antes responsável pelo clique pode ser entregue na própria SERP.
Isso não elimina a utilidade de conteúdos informacionais. Entretanto, uma página que apenas define um conceito oferece menos motivos para receber a visita do que outra que acrescenta contexto, exemplos, comparações, dados e consequências práticas.
Google Modo IA
Google Modo IA é uma experiência de pesquisa conversacional que permite perguntas maiores, comparações, uso de texto, imagem e voz e consultas complementares a partir do contexto anterior. No Brasil, o Google lançou o recurso em português como parte da busca e do aplicativo Google.
Uma das diferenças está no query fan-out, técnica que divide uma questão em vários subtópicos e executa diferentes pesquisas para compor a resposta. O próprio Google informou que os primeiros usuários do recurso faziam perguntas duas ou três vezes maiores do que aquelas realizadas na busca tradicional.
Uma pesquisa por “melhor CRM”, por exemplo, pode dar lugar a uma pergunta sobre qual plataforma atende uma empresa de determinado porte, com certo orçamento, tamanho de equipe e necessidade de integração. A principal diferença não está apenas no número de palavras, mas na quantidade de contexto que acompanha a consulta.
Gemini dentro da busca
Gemini é a família de modelos de inteligência artificial que sustenta parte das experiências generativas da Pesquisa Google, entre elas o Modo IA. No I/O 2026, o Google anunciou o Gemini 3.5 Flash como modelo padrão do recurso e apresentou aquela que classificou como a maior atualização da caixa de pesquisa em mais de 25 anos.
A pesquisa passou a aceitar texto, imagens, arquivos, vídeos e informações de abas do Chrome, o que amplia as possibilidades de uma consulta e também o tipo de conteúdo capaz de ajudar na resposta.
Para empresas, páginas compostas apenas por texto deixam de concentrar todas as possibilidades. Imagens explicativas, vídeos, tabelas, documentos, demonstrações e exemplos podem complementar a informação e contribuir para consultas mais complexas.
Pesquisa por imagem, Lens e busca multimodal
A pesquisa por imagem permite usar uma fotografia, câmera ou outro elemento visual como ponto de partida para encontrar informações, produtos, lugares e objetos no Google. O Lens é um dos principais recursos dessa modalidade e já permitia identificar objetos, traduzir textos e localizar produtos antes da popularização das respostas generativas.
Em maio de 2025, o Google informou que o Lens recebia mais de 25 bilhões de consultas por mês. Em 2026, a empresa aproximou ainda mais a pesquisa visual do Modo IA ao permitir o uso de múltiplas imagens em uma mesma consulta.
O efeito é mais evidente em segmentos como e-commerce, varejo, turismo, moda, arquitetura e mercado imobiliário, nos quais uma pesquisa pode começar por um produto, ambiente ou fotografia, mas alcança qualquer atividade em que uma dúvida possa partir de algo que a pessoa vê.

Pesquisa por voz e pesquisa conversacional
A pesquisa por voz permite formular perguntas completas oralmente, enquanto a busca conversacional mantém o contexto entre uma consulta e outra. A combinação favorece pesquisas mais detalhadas do que aquelas compostas por poucas palavras digitadas.
Ao falar, uma pessoa pode incluir informações que dificilmente colocaria em uma combinação curta de keywords, enquanto o Modo IA permite acrescentar novas perguntas sem iniciar outra pesquisa.
Para SEO, isso amplia a importância de conteúdos capazes de responder não apenas ao termo pesquisado, mas também às dúvidas, comparações e restrições que cercam determinada decisão.
Como a IA mudou a experiência de busca
A inteligência artificial mudou a experiência de busca ao permitir que parte da resposta apareça antes do acesso a um site, o que reduz a relação direta entre boa posição, clique e visita. O efeito já aparece em estudos sobre comportamento de busca e taxa de cliques.
Pesquisa do Pew Research Center mostrou que pessoas expostas a um resumo de IA clicaram em um resultado tradicional em 8% das visitas analisadas, contra 15% nas páginas sem esse tipo de resposta. O acesso às fontes citadas no próprio resumo ocorreu em apenas 1% das visitas com síntese.
Outro estudo, publicado pela Ahrefs a partir de consultas analisadas até dezembro de 2025, estimou queda de 58% no CTR orgânico da primeira posição na presença de AI Overviews.
Os números não permitem aplicar a mesma redução a qualquer site, setor ou consulta, porém mostram que aparecer no Google e receber uma visita já não são necessariamente partes da mesma ação. O topo do funil tende a sentir esse efeito primeiro, principalmente em conteúdos que respondem a definições e perguntas de baixa complexidade.
O próprio Google sustenta, por outro lado, que os acessos originados de páginas com AI Overviews podem apresentar maior qualidade e recomenda que empresas avaliem conversões, vendas e outras ações de valor, em vez de observar apenas o volume de cliques.
Autoridade passa a depender de prova, não só de volume
A autoridade de um site passa a depender cada vez mais da capacidade de comprovar conhecimento e oferecer informação original, não apenas do volume de páginas publicadas. Com respostas produzidas por IA, a diferença entre repetir informação e demonstrar experiência ganha ainda mais importância.
O Google recomenda conteúdo útil e confiável, acompanhado de elementos que ajudem a comprovar experiência, expertise, autoridade e confiabilidade.
Para empresas, isso significa identificar especialistas, recorrer a fontes primárias, apresentar estudos de caso, metodologias, dados próprios e exemplos do setor. Uma marca que domina determinado assunto tem mais condições de mostrar aquilo que sabe do que outra que apenas reorganiza informações já publicadas por concorrentes.
Conteúdo precisa responder a tarefas, não apenas a palavras-chave
Conteúdo preparado para as novas formas de busca precisa resolver perguntas completas e tarefas, não apenas incluir uma palavra-chave em posições estratégicas. O query fan-out ajuda a explicar essa mudança, pois permite que o Google divida uma questão em diferentes subtópicos antes de elaborar a resposta.
Uma pesquisa sobre “novas formas de buscar no Google”, por exemplo, pode envolver AI Overviews, Modo IA, Gemini, Lens, pesquisa por voz, multimodalidade, tráfego, CTR, produção de conteúdo e vendas. Uma página que aborda apenas a definição da keyword deixa lacunas importantes diante dessa intenção mais ampla.
É nesse ponto que SEO e GEO se aproximam. Para a Pesquisa Google, a empresa afirma que não existem exigências técnicas adicionais para aparecer em AI Overviews ou Modo IA e que as práticas fundamentais de SEO continuam válidas.
A diferença está na profundidade e na clareza da informação oferecida. Conteúdos precisam explicar relações, sustentar afirmações, demonstrar experiência e fornecer elementos que ajudem pessoas e sistemas a compreender o assunto.
Métricas precisam ir além de posição e sessão
Empresas precisam avaliar as novas formas de busca com métricas que vão além de posição, sessões e CTR, pois a visibilidade em respostas de IA nem sempre resulta em clique direto. Conversões, leads qualificados, procura pela marca e acesso a páginas comerciais ajudam a mostrar efeitos que o tráfego isolado não revela.
Em junho de 2026, o Google apresentou relatórios específicos no Search Console para a presença de sites em recursos generativos, como AI Overviews e Modo IA, inicialmente disponíveis para um subconjunto de propriedades.
Os relatórios permitem observar impressões, páginas exibidas, países, dispositivos e evolução da presença nesses recursos, enquanto os dados também permanecem incorporados ao relatório geral de performance. Ainda não existem, porém, métricas próprias de cliques e CTR para AI Overviews e Modo IA.
A limitação reforça a necessidade de cruzar posição e tráfego com conversões, leads qualificados, procura pela marca, consultas long tail, acesso a páginas comerciais e participação do conteúdo na jornada de venda. Uma página informacional pode perder visitas e, ao mesmo tempo, ajudar a aumentar a procura pela empresa ou levar pessoas mais qualificadas para conteúdos de fundo de funil.
Como adaptar SEO e conteúdo para essa nova busca
Para adaptar SEO e conteúdo às novas formas de buscar no Google, empresas precisam ampliar a pesquisa para além das keywords, aprofundar respostas, demonstrar experiência e conectar cada página à intenção completa da pessoa.
As práticas fundamentais de SEO continuam válidas, mas conteúdos rasos passam a disputar espaço com respostas que já resolvem parte da dúvida na SERP. Em razão disso, siga estes passos para adaptar SEO e conteúdo para a nova busca do Google:
- mapeie perguntas completas, não apenas palavras-chave. Relacione os termos de busca às dúvidas, comparações, restrições e tarefas que motivam uma pesquisa;
- revise conteúdos informacionais rasos. Definições continuam úteis, porém precisam de contexto, exemplos, consequências e limites para oferecer valor além da resposta exibida na SERP;
- crie clusters por intenção. Uma página pillar pode apresentar o assunto de forma ampla, enquanto conteúdos satélite aprofundam questões específicas, comparativos, casos de uso e dúvidas comerciais;
- demonstre autoria e experiência. Especialistas, fontes primárias, dados, estudos de caso, metodologias e exemplos próprios ajudam a comprovar domínio do assunto;
- estruture o conteúdo com clareza. Títulos descritivos, perguntas em H3, respostas diretas, tabelas, listas e dados atribuídos facilitam a leitura e a interpretação das informações;
- conecte SEO, conteúdo e vendas. Se parte da resposta já aparece no Google, a página precisa oferecer aprofundamento, comparação, diagnóstico, demonstração ou contato comercial que justifique a visita.
O que empresas devem fazer agora
Empresas devem revisar quais conteúdos podem perder cliques para respostas de IA, quais páginas têm potencial para servir como fonte e quais materiais oferecem valor suficiente para levar a pessoa da SERP ao site.
A expansão da inteligência artificial na Pesquisa não representa o fim do SEO, mas reduz o espaço para estratégias baseadas apenas em páginas criadas para ocupar palavras-chave.
Para CMOs, Heads de Marketing, gestores digitais e profissionais de SEO, já não basta identificar quais conteúdos podem alcançar as primeiras posições. Também é necessário saber quais temas ajudam a construir autoridade, quais páginas sustentam decisões comerciais e onde existem lacunas que uma resposta curta do Google não consegue resolver.
A Prosperidade Conteúdos ajuda empresas a transformar pesquisa, estratégia e conhecimento de mercado em conteúdos preparados para as novas formas de buscar no Google. Fale com a nossa equipe para revisar o planejamento de SEO e construir uma estratégia editorial adequada às pesquisas com IA.
FAQ: perguntas e respostas sobre novas formas de buscar no Google
O Google possui diferentes modelos, produtos e experiências baseados em inteligência artificial. Gemini é a família de modelos da empresa; AI Overviews e Modo IA fazem parte da Pesquisa Google; Lens oferece recursos de busca visual e multimodal; Search Labs funciona como ambiente de testes; Google AI Studio é uma plataforma para desenvolvimento com Gemini; e Google AI Pro e Ultra são planos de assinatura.
Google AI Overview é uma resposta criada por inteligência artificial que aparece em determinadas pesquisas para resumir informações e apresentar links de apoio. O recurso convive com os resultados tradicionais e pode reduzir a necessidade de acesso a uma página em consultas simples.
Google Modo IA é uma experiência conversacional da Pesquisa Google que aceita perguntas mais longas, texto, voz e imagens, além de permitir perguntas complementares. O recurso usa query fan-out para dividir uma questão em subtópicos antes de elaborar a resposta.
No Brasil, o Modo IA aparece como uma aba da página de resultados e do aplicativo Google para contas com acesso ao recurso. A disponibilidade pode variar conforme país, conta, aplicativo e etapa de liberação.
Não. O Google AI Studio é uma plataforma para criação e desenvolvimento com os modelos Gemini e a API Gemini, não uma modalidade da Pesquisa Google.
Não, o GEO não substitui o SEO. Para a Pesquisa Google, as práticas fundamentais de SEO também valem para AI Overviews e Modo IA, sem requisitos técnicos adicionais específicos para esses recursos.
As novas formas de buscar no Google tornam posição, tráfego e CTR insuficientes para avaliar sozinhos a visibilidade de uma empresa. Conteúdo específico, autoridade temática, presença em respostas de IA, qualidade dos acessos e capacidade de apoiar decisões passam a fazer parte da mesma análise.